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27/07/2018 11h14

Negociação entre trabalhadores e empresas cai 39,6% no 1º semestre


Redação 96FM

Foram 7.563 acordos firmados nos seis primeiros meses de 2018, contra 11.462 no mesmo período de 2017

Em vigor desde novembro de 2017, a nova legislação trabalhista fortalecia a negociação coletiva entre trabalhadores e suas empresas ou sindicatos. A atual norma traz a prevalência do “acordado sobre o legislado” em determinadas situações. Isso significa que a negociação entre patrões e empregados passou a valer mais do que a lei em uma série de quesitos, como a decisão sobre o fracionamento das férias e a organização dos planos de cargos e da jornada de trabalho.

Hélio Zylberstajn é professor e economista

No entanto, segundo dados do Salariômetro da Fundação Instituto de Pesquisa Econômicas, a Fipe, divulgados nesta semana, as negociações protocoladas no Ministério do Trabalho no primeiro semestre deste ano caíram 39,6% em relação ao mesmo período de 2017. Foram 7.563 acordos firmados nos seis primeiros meses de 2018, contra 11.462 no mesmo período de 2017. O mesmo aconteceu com as convenções coletivas: queda de 1.680 para 920 acordos.

Ainda segundo o estudo, o reajuste salarial médio negociado nos seis primeiros meses de 2018 foi menor do que o do mesmo período do ano passado: 2,8% contra 5%. Já a proporção de reajustes acima da inflação foi maior, 84,6% ficaram acima da inflação, contra 79,1% em 2017.

Segundo o coordenador da pesquisa, o professor e economista Hélio Zylberstajn, a inflação baixa é uma das razões para esse resultado.

“No primeiro semestre deste ano, mais trabalhadores conseguiram aumento acima da inflação do que no primeiro semestre do ano passado. Por que que isso está acontecendo? Porque a inflação está muito baixa, então fica um pouco mais fácil para a empresa conceder alguma coisa acima de uma inflação baixa”.

Segundo Hélio Zylberstajn, a insistência de sindicatos de trabalhadores em incluir no texto a contribuição sindical, que tornou-se facultativa após a reforma, é um dos entraves para a conclusão das negociações. Zylberstajn também aponta a importância dos sindicatos na conquista dos aumentos acima da inflação no salário dos trabalhadores.

“Não deixa de ser surpreendente em uma situação como essa, de alto desemprego e muita recessão, que os trabalhadores ainda consigam aumentos reais. Em uma situação dessas, o poder de bargalha dos trabalhadores é muito pequeno. Eles não podem pressionar as empresas. Mas, mesmo assim, os sindicatos têm mostrado habilidade e têm conseguido esses aumentos um pouquinho acima da inflação”.

As negociações coletivas estabelecem regras para as relações de trabalho entre empregados e empresas. Convenções são negociadas entre os sindicatos de trabalhadores e patronal e valem para toda a categoria.

Reportagem, Paulo Henrique Gomes

 




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